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O impacto do cenário econômico no Brasil

No Brasil, o contexto macroeconômico exerce influência direta sobre o mercado de arte. Com taxas de juros elevadas, o custo de oportunidade se torna um fator central nas decisões de compra. A aquisição de uma obra de alto valor passa a ser comparada ao rendimento que esse capital poderia gerar em ativos financeiros tradicionais. Ainda assim, esse mesmo cenário cria janelas de oportunidade, já que a busca por liquidez leva alguns proprietários a negociar obras abaixo do valor de mercado.

Dois perfis de compradores têm movimentado o mercado brasileiro de forma consistente. De um lado, o novo colecionador, muitas vezes associado a projetos residenciais mais sofisticados, interessado em artistas ultracontemporâneos na faixa de até US$ 10 mil. De outro, o comprador ultrarrico, menos sensível às oscilações econômicas, que mantém grande parte do patrimônio alocada em juros altos, mas segue investindo em arte como reserva de valor, diversificação e legado. O resultado desse movimento é claro: o mercado segue ativo, com crescimento no número de feiras e estabilidade no ecossistema galerístico.

Courtesy of Art Basel Press Images

Mercado global: ajustes e redistribuição de forças

No cenário internacional, 2025 foi marcado por maior volatilidade. Algumas grandes galerias, pressionadas por custos elevados e margens menores, encerraram suas atividades em centros tradicionais como Nova York e Los Angeles. Londres, historicamente um dos polos mais fortes do mercado, continua sentindo os efeitos do Brexit e de novas taxações sobre residentes estrangeiros, o que levou parte das grandes fortunas a migrar para outros centros.

Nesse contexto, Paris emerge como um dos grandes vencedores recentes. A França foi o único dos principais mercados globais a registrar crescimento no primeiro semestre de 2025, com alta de 4,7%, alcançando cerca de US$ 363,9 milhões em vendas. A presença crescente de casas de leilão, mega-galerias e feiras internacionais reforça a consolidação da cidade como eixo estratégico do mercado de arte europeu.

Foto: Art Basel- Press Images

Leilões e confiança do mercado

Após quase três anos de retração, os leilões voltaram a desempenhar um papel relevante na recuperação da confiança do mercado. A temporada de outono de 2025 em Nova York movimentou bilhões de dólares e foi marcada por resultados expressivos, especialmente em arte moderna e contemporânea. A venda da obra Portrait of Elisabeth Lederer, de Gustav Klimt, por US$ 236,4 milhões, ilustra como obras bem posicionadas continuam encontrando forte demanda, mesmo em um ambiente mais seletivo.

Foto: Portrait of Elisabeth Lederer- Gustav Klimt

Novas geografias e instituições

Outro movimento decisivo para 2026 é a expansão do mercado para novas regiões. O Oriente Médio se consolida como um dos principais polos de crescimento, impulsionado por investimentos estatais robustos em infraestrutura cultural. Leilões inéditos na Arábia Saudita, a estreia da Art Basel em Doha e a primeira edição da Frieze em Abu Dhabi redesenham a geografia do mercado global.

Esse avanço é acompanhado pela inauguração de novos museus de grande relevância, como o Guggenheim Abu Dhabi e o Zayed National Museum, além de projetos importantes na Europa e nos Estados Unidos. Instituições desse porte desempenham papel fundamental na validação simbólica e financeira de artistas, fortalecendo narrativas e sustentando valor no longo prazo.

Foto: M7 in Doha- Courtesy of Art Basel

Tendências do colecionismo e recomendações para investidores

Pesquisas recentes indicam que colecionadores aumentaram a alocação média de patrimônio em arte, atingindo cerca de 20%. Observa-se também maior participação de mulheres e da geração Z, que priorizam diversificação e experiências culturais. Para 2026, a expectativa é de crescimento moderado e maior disparidade entre segmentos: artistas recém-descobertos tendem a ganhar espaço, enquanto o topo do mercado permanece mais volátil.

Nesse cenário, estratégias bem-sucedidas passam por diversificação por segmento, atenção rigorosa à proveniência e à documentação das obras, planejamento fiscal e logístico e um horizonte de liquidez realista, geralmente entre três e sete anos. O principal risco segue sendo a macroeconomia global e as barreiras ao comércio internacional, que aumentam custos e ampliam a dispersão de retornos.

Foto: Courtesy of Art Basel Press Images

O mercado de arte em 2026 não aponta para euforia, mas para sofisticação. Trata-se de um ambiente que recompensa análise, visão de longo prazo e entendimento profundo das dinâmicas culturais e econômicas. Mais do que nunca, investir em arte exige estratégia — e é justamente nesse contexto que a arte se reafirma como ativo cultural, instrumento de diversificação patrimonial e construção de legado.


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