Art Basel- Press Images

A Artnet adota um tom mais direto e crítico ao descrever o cenário atual. Seu ponto de partida está na desaceleração visível do mercado de alto valor, especialmente nos leilões. Os números do primeiro semestre de 2025 indicam queda consistente nas vendas, reforçando a percepção de que o segmento que mais se beneficiou da liquidez extraordinária dos últimos anos agora enfrenta uma correção inevitável. Obras de valores muito elevados tornaram-se mais difíceis de colocar, e a cautela dos grandes colecionadores passou a ditar o ritmo das negociações. Nesse contexto, a Artnet sugere que o mercado vive não apenas um ajuste cíclico, mas o esgotamento de um modelo inflado por excesso de eventos, feiras e estruturas de intermediação que cresceram mais rápido do que a base real de demanda.

O relatório Art Basel & UBS, embora reconheça esse mesmo movimento de retração no topo, amplia o olhar ao situar a desaceleração dentro de uma leitura macroeconômica e comportamental. O levantamento mostra que, apesar da queda no valor total movimentado globalmente, o número de transações continuou crescendo. Isso indica que o mercado não parou — ele se redistribuiu. A diminuição das vendas milionárias foi acompanhada por maior atividade em faixas de preço intermediárias e por uma diversificação dos canais de compra, com maior presença de vendas online, galerias de médio porte e negociações diretas com artistas.

Foto: Art Basel Press Images

Enquanto a Artnet enfatiza a pressão enfrentada por galerias tradicionais e a dificuldade de sustentar modelos altamente dependentes de feiras internacionais, o relatório da Art Basel & UBS sugere que esse mesmo movimento abre espaço para novas configurações. Colecionadores mais jovens, menos orientados exclusivamente por investimento e mais atentos a valores simbólicos, identitários e culturais, passam a ter um papel mais relevante. A ideia de colecionar como expressão de estilo de vida — e não apenas como ativo financeiro — aparece como um dos vetores centrais dessa transformação.

Ambas as análises convergem ao apontar que o mercado de arte se tornou mais seletivo. A lógica de crescimento acelerado, baseada em lançamentos contínuos e valorização rápida, perde força. Em seu lugar, emerge um ambiente mais criterioso, em que confiança, reputação, pesquisa e relacionamento voltam a ser centrais. A Artnet interpreta esse movimento com certo ceticismo, destacando os riscos para agentes que não conseguirem se adaptar. Já o Art Basel & UBS lê essa mesma transição como sinal de maturidade, sugerindo que a redução da especulação extrema pode gerar um ecossistema mais sustentável no médio e longo prazo.

Foto: Art Basel Press Images

Outro ponto de contato entre as duas leituras está na dimensão global. A fragmentação geopolítica, as tensões comerciais e a instabilidade econômica internacional afetam diretamente a circulação de obras e a disposição para grandes aquisições. Se, para a Artnet, esse contexto reforça o clima de “tempestade” que atinge o mercado, para o Art Basel & UBS ele também explica por que colecionadores estão adotando estratégias mais diversificadas e menos concentradas em apostas únicas de alto risco.

Foto: Art Basel Press Images

Ao colocar essas duas visões em diálogo, fica claro que o mercado de arte em 2025 não pode ser entendido apenas como um setor em crise, nem tampouco como um sistema plenamente resiliente. Ele se encontra em um processo de reconfiguração profunda. A “tempestade” descrita pela Artnet evidencia os limites de um modelo baseado na expansão contínua do topo do mercado, enquanto o relatório Art Basel & UBS aponta para um cenário em que adaptação, redistribuição e mudança de perfil do colecionador passam a definir os próximos capítulos.

Mais do que um ano de retração, 2025 se apresenta como um ano de ajuste de expectativas. Um momento em que o mercado de arte começa a abandonar excessos recentes e a reconstruir seus fundamentos — ainda de forma instável, mas possivelmente mais alinhada com uma lógica de longo prazo.

Fontes: Artnet, The Storm Hits the Art Market, e Art Basel & UBS Global Art Market Report 2025


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